Esvaziei a minha mente com uma saída furtiva e dois cigarros na mão. Sou fraca. Não forte o suficiente para queimar a minha pele mas talvez forte o suficiente para seguir em frente e manter a minha mente vazia. Ele mal notou.
Voltei a respirar melhor, aparentemente mas o sentido de culpa permanece. “Eu devia ter estado mais contigo”. Afinal, não foi o suficiente. E como esperava, as pequenas insónias voltaram. Entes queridos precisam de mim, fresca e pronta para um dia de trabalho mas só de corpo porque a minha mente não esvazia! Este sentimento de espaço vazio é falso mas mesmo assim não deixa de ser um aparente vazio e eu sinto-o como se fosse mesmo um vazio. Uma aparente sensação de paz interior! Como me conforma-se com o ‘fizeste tudo o que estava ao teu alcance’ mas não é verdade! Eu podia ter feito mais, eu podia ter insistido mais, eu podia ter dado mais de mim! Sinto que deveria ter feito, reagido ou até mesmo agido de outra maneira. Sinto-me inútil e incapaz de um acto qualquer, o acto que deveria ter sido feito, aquele que afinal, ficou por fazer e que só agora dei conta. Todos os dias digo a mentira. Todos os dias engano-me a mim mesma: “Está tudo bem” mas hoje, foi diferente. A mente esvaziou-se e o que ficou, foi “Não estás bem”. E concordo. Não estou! Mas é segredo. Ninguém precisa de saber. Não sou a ‘coitadinha’. Eu apenas falo sobre as coisas.
2 comentários:
identifico-me com algumas coisas que escreveste e vejo em ti alguns traços meus. sabes... dizer que estás mal não faz de ti fraca, muito pelo contrário. se precisares de alguma coisa podes contar comigo, asério. beijinhos e força*
É o que geralmente acontece quando mentimos aos outros, fingimos alegrias. O nosso interior sabe a razão e chega em um limite onde tudo parece "explodir" e desta explosão vem a dor, a culpa, o arrependimento...
Excelente escrito.
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