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Era uma noite como todas as outras mas tudo iria, supostamente mudar. Lembro-me que estávamos as três estranhamente bem-dispostas, parece que já estávamos a adivinhar o que aí vinha! A noite já ia, sensivelmente a meio quando entrou um grupo de homens. Nessa noite, não estávamos no palco por isso, misturávamos-nos no meio dos clientes, bebíamos à conta deles e nada mais que isso. Só quando um homem nos agrada-se, que nos fizesse esquecer que estávamos ali para nos vender é que os encaminhávamos para a cave, apesar de no fim, eles nos pagarem. Mesmo assim, era diferente. Não estávamos marcadas e poderíamos ser nós próprias e se não levássemos ninguém ao nosso interior não eramos castigadas por isso! Era quase como se fosse uma noite de folga. Como dizia, um desses homens do grupo sentou-se ao lado de cada uma de nós.
Shelly
Era um homem realmente atraente. Diferente da clientela velha e antiga que costumava aparecer todos os santos fins de semanas. Foi realmente revigorante ser elogiada e seduzida por um homem quase da minha idade e além disso, nós realmente conversamos! Sim, nós falamos e foi a melhor noite que tive em toda a minha vida! Os outros homens apenas se interessavam em tocar-me, em dizer-me o quanto gostariam de fazer sexo comigo e este? Apenas se interessava em saber se preferia ir a Londres ou a Holanda! Entre saber se prefiro leite natural ou com chocolate ... quente ou frio! Não sei. Ele quis saber o que gostava ou deixava de gostar e o melhor? Não tentou fazer sexo comigo. Apenas falamos, bebemos e dançamos! Quis ir com ele para outra discoteca ... uma que não tivesse amigas minhas a despirem-se mas como sempre, o Chen barrou-nos e afastou-o de mim! Ele nem tinha percebido que fazia parte delas até que tentei sair dali com ele.
Sam - Ahaha, nem acredito que fui encontrar alguém assim aqui!
Shelly - Assim, como?
Sam - Tão inteligente! Arrogante, dona do seu nariz! Se me dissessem agora que trabalhavas aqui, a despir-te ... eu não acreditaria!
Deixei de sorrir. Senti uma espécie de facada no peito e ele percebeu.
Sam - Estás bem?
Shelly - Vamos embora! Tiras-me daqui?
Sam - Sim, claro!!
Assim que ele proferiu a palavra-chave, agarrei na mão dele e saímos pela porta detrás do palco. O Sam só fazia perguntas e eu estava a ficar louca por não poder respondê-las. O meu cérebro apenas pensava na Lila e na Cassie e como poderia levá-las também quando tentei abrir a porta e não consegui. Sam tentou arrombá-la mas nada!
Chen- Que raio pensas que estás a fazer, Shelly?
Sam- Shelly? Oh e também és Emma? Quero dizer, é o teu nome do meio,certo?
Chen - Ah coitadinho! Pensou que aqui a boazona era uma rapariga normal! Mas não! Ela trabalha para mim e não pode sair daqui a não ser que tu pagues bem por ela ir contigo para casa!
Shelly - Desculpa, Sam.
Sam - Então, é verdade?
O Chen, que estava parado ao fundo do corredor, tomou uma atitude e dirigiu-se a nós e Sam não pensou duas vezes. Espetou-lhe um murro que o deixou estatelado no chão.
Sam- Já estava farta de o ouvir! Que idiota! Ele obriga-te a trabalhar para ele?
Shelly - Sim, obriga. E o meu nome é mesmo Emma. O Shelly é que é o falso. Desculpa não ter te dito.
Sam - Sim, claro. Antes de te apresentares, dirias 'hey, trabalho aqui, falas comigo?'. Seria tudo diferente. Não te daria sequer oportunidade para que fosses tu mesma!
Entretanto com a Cassie
Descia cada degrau a pensar de como estaria a Lila e a Shelly a safarem-se. Com um ou dois toques de conversa descobri que o homem que tentava levar-me para cama era meu irmão. Foi um choque tremendo. Convenci-o a irmos para a cave para podermos conversar mais à vontade e sem sermos interrompidos e nunca desconfiariam que ele era o meu irmão. Vamos recuar uns meros quinzes minutos para perceberem.
Estava no balcão e pedia um vodka redbull quando, sinto um toque.
Rui - Hey, importaste que te pague a bebida?
Cassie- Claro que não. Já agora, sou a Cassie.
Rui - E eu, sou o Rui. Não quero estar-me a meter mas posso perguntar-te algo?
Cassie - Sim, claro.
Rui - Estás a gostar da noite?
Esbocei um sorriso e, - Sim, estou e tu?
Rui - Também. Então e és daqui da zona?
Cassie - Sim, sou e tu?
Rui - Nunca te vi por aqui. Moro ao pé do teatro.
Cassie - Isso é porque trabalho aqui e que fazes da vida?
A cara dele mudou completamente mas ao avaliar-me tornou a sorrir e deve ter decidido que não era demais continuar a falar comigo.
Rui- Vim para aqui quando era pequeno.
Cassie- E onde estavas antes de vires para aqui?
Rui - Em Angola.
Observei-o melhor. Conseguia ver os olhos cinzentos do pai e o sorriso harmonioso da mãe!
Cassie - John?
Rui - Não! Sou o Rui!
E ali estava o meu irmão mais velho! O tom de voz e indignado que usou denunciou-o. Era mesmo ele.
Cassie - John, sou eu. A tua irmã!
John - Não! A minha irmã morreu à muito tempo!
Cassie - Olha para mim!
Comecei a limpar a base, a tirar o batom dos lábios e a limpar os olhos. Quando percebeu que era eu, a sua adorada irmã, abraçou-me! Senti o seu rosto molhado nos meus ombros.
John - Alice!? Oh meu deus, Alice!! Que raio estás tu aqui a fazer? Os pais pensam que estás morta!!
Cassie - Cala-te! Fala baixo. Alinha no que eu faço!
Beijei-lhe a face e dei-lhe a mão e ele seguiu-me. O guarda que estava á porta, olhou-nos e então John colocou o braço em volta de mim e comentou o quão boa eu era e ele abriu a porta. Descemos cada degrau em direção à cave.
John - Desculpa ter dito aquilo mas assim ele deixou-nos passar.
Cassie- Eu disse para alinhares comigo, não disse?! Estava a falar disso!
John- Como vieste aqui parar? Porque nunca fugiste? Porque nunca nos telefonaste? PORQUE?
Cassie- Hei-de responder a um pergunta de cada vez mas primeiro tiras-me daqui?
John- Isso nem se pergunta duas vezes! Que tal agora, Alice?
Cassie - Não, John! Não me trates por esse nome! Cassie! Antes que alguém te ouça.
John - Ok, Cassie! Que tal agora?
Cassie- Não pode ser! Não sei quando é melhor. De noite, o Chen está a contar connosco para estarmos sempre aqui e de dia, estamos vigiadas a toda a hora! E tens que levar também a Lila e a Shelly!
John- NÃO! Só tu, Alice! SÓ TU!
(continua)

1 comentário:
Realmente, eu havia perdido dois episódios. Após as mudanças do blogger, as atualizações raramente aparecem no painel.
Este episódio foi surpreendente! Imagino o quanto deve ser difícil fazer uma revelação destas sem nenhum preparo a alguém da família.
Gostei do jeito que escreve como um fanfic ou uma série virtual, estilo peça de teatro, cujo nome vem substitui o travessão. A leitura fica bem mais leve.
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