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quinta-feira, fevereiro 23

Preciso de vontade! Preciso de orientação, palavras de apoio! 'Cas, é só um power-point e vai ajudar-te! Pensa no futuro!'
Ok, é AGORA! E não "já vou!"

quarta-feira, fevereiro 22

Não se avista porto seguro. Tenho medo! E o mundo perde-se porque as pessoas já não depositam um mínimo de confiança. Gostaria de dizer que tudo está bem mas o cenário é preto no branco!

terça-feira, fevereiro 7

you know you're doing it wrong when

Acabas em casa de pijama, rodeada de lenços de papel ranhosos, com o computador, sem paciência para estudar, a assoar-te de 5 em 5 minutos, com um gorro na cabeça e a receber mensagens das pessoas que se preocupam contigo. É apenas uma constipação. Só sinto que vou morrer de tanto me assoar e tossir --'

quinta-feira, fevereiro 2

but still my nigga

Tenho ideias para a minha história, tenho MONTES de cenários para outro projecto, tenho a casa por arrumar, tenho que estudar mas a única coisa que apetece fazer é estar no tumblr,  escrever random things no blog e ouvir a minha música! Também me apetece miminhos do meu querido namorado mas ele está a trinta quilómetros de mim. 

domingo, janeiro 29

A capacidade de enxergar mais além, preciso dela. Quero dizer, está presente mas está na gaveta. É tempo de fazer planos a médio prazo. Há coisas que necessitamos planear, há sonhos que necessitamos manter. Continuo a sonhar sobre viagens, continuo a sonhar sobre aulas de equitação, continuo a sonhar em voltar a aprender piano, continuo a sonhar em conseguir lidar melhor com as pessoas que amo e há coisas que merecem realmente o nosso esforço e empenho. Continuo a sonhar com a faculdade, continuo a sonhar que, quer escolha Biotecnologia ou Comunicação, serei feliz e com um emprego decente após sair da faculdade. Não quero ficar presa em casa dos meus pais. Preciso de abrir mais as asas, preciso de voar mais longe, de sair da vila e enxergar com olhos de ver! Preciso enxergar cidades, a vida citadina!
Quero concretizar-me a nível profissional porque bem, só me resta isso. O resto está tudo óptimo e estou feliz! É bem verdade que amar torna-nos muito mais optimistas e capazes de enfrentar quaisquer obstáculos! Só preciso de sorte, de conseguir enxergar como deve ser a matemática e aumentar a minha média. Apenas, preciso de concretizar cada conta e planos que tenho feito em bocados de papel. Preciso de saber que estou num bom caminho e para isso, preciso de sinais e de alguém que nunca perca a fé em mim porque, a minha fé está constantemente a falhar! Preciso que nunca duvidem das minhas decisões, já sou capaz de pensar a longo prazo e nas consequências que daí advém. Eu sou capaz! Verão e aí, as más línguas irão provar do seu próprio veneno!
Cassandra

quarta-feira, janeiro 18

Medo inocente

O meu mundo perdeu a sua inocência. Atingiu o chão de nariz. Não é bonito de se ver pois as consequências são devastadoras. Desconhecidos e conhecidos perderam a credibilidade. O olhar inocente ao ver um diferente mundo pela primeira vez, perdeu-se. A incredibilidade instalou-se. O medo do desconhecido. Eu não tinha medo mas quando crescemos, ele aparece. O medo assume outras faces. O medo de chumbar, o medo de não escolher o curso certo, o medo de falhar como pessoa nesta sociedade, falhar nos deveres que possuímos como cidadãos, filhos, pais (futuramente), avós (ainda mais futuramente) de alguém. Não podemos ser egoístas ao ponto de pensar que as nossas atitudes não afectam os outros. Estamos conectados de uma maneira ou de outra. Cada escolha além de nos afectar primeiramente, afecta terceiros e nisto, não digo para deixarmos de tomar as nossas decisões porque podemos magoar os sentimentos de terceiros. Há limites e por isso mesmo, há que ponderar bem cada pró e contra. A escolha de vir para casa hoje, penso eu que é para facilitar a vida aos meus pais mas no fundo, pode ajudar-me a mim. Basta ver bem o panorama. E a minha visão está turva! As noções de aceitabilidade de ordens ou pedidos faz-me doer a alma porque bem, sempre chegam a mim como ordens e eu não sou 'escrava' de ninguém!
Cassandra

sábado, janeiro 14

A minha capacidade de ignorar problemas que não valem a pena aumentou significamente;
*Parabéns, a mim mesma!*

domingo, janeiro 8

Odeio não ter tempo para ti.

terça-feira, janeiro 3

Aviso


O comutador do meu portátil queimou. Puff! Então, o meu desafio está adiado por tempo indeterminado (estimo em uma semana mas nunca se sabe!). Além, disso a minha presença aqui também será ausente por tempo indeterminado!
Voltarei, beijos Cassandra

sábado, dezembro 31

ando numa de roubar.

Desta vez foi da Dii do blogue Câmara Escura


Revendo tudo o que se passou em 2011...

1. (x) Fiz cábulas - A biologia;

2. ( ) Perdi alguém que amo

3. ( ) Mudei para pior 

4. (x) Fui atirado/a para a piscina

5. (x) Bebi alguma bebida alcoólica

6. (x) Ri até chorar

7. ( ) Caí de bicicleta

8. (x) Fui estúpido com alguém

9. (x) Ouvi música no banho

10.( ) Fiquei em recuperação

11.(x) Fiquei um dia inteiro de pijama

12.(x) Lixei alguém

13.(x) Dancei muito numa festa

14.(x) Fui à praia

15.( ) Consegui andar de skate

16.( ) Andei muito de skate

17.( ) Gravei cover de alguma música

18.(x) Dormi numa aula

19.( ) Tentei surfar

20.(x) Cortei-me

21.( ) Sonhei com alguma coisa que depois aconteceu

22.(x) Apaixonei-me - e ainda estou apaixonada!

23.(x) Conversei muito

24.(x) Arrependi-me de alguma coisa que fiz 

25.(x) Arrependi-me de não ter feito algo

26.(x) Chateei-me

quarta-feira, dezembro 28

parte-se mais que um braço

Tenho saudades do quanto era fácil ser criança. Era fácil cair, chorar e levantar e depois esquecíamos. Agora, caímos, choramos mas tocamos na ferida. As nossas quedas de criança são despreocupadas! Atiramo-nos basicamente, de cabeça. Não pensamos! Só quando faz doí-doí e então, relatamos com um riso a maneira estupida de como fomos tropeçar nos próprios pés!
No dia-a-dia, somos calculistas. Apalpamos o terreno, vemos se quando colocamos o pé se afundamos ou se o terreno aguenta.
Quando toca ao amor, somos verdadeiras crianças. A curiosidade apodera-se do nosso corpo. A nossa mente entra em guerra com o coração. Normalmente, espalhamo-nos ao comprido. Típico de criança. Acabamos por agir como crianças diante do Amor. E porquê? Não é um brinquedo! Não é uma brincadeira! É mesmo coisa séria e magoamo-nos a sério. De uma maneira irreversível! Não têm nada de parecido com quedas em que apenas quebras um braço. Nesta brincadeira, há mais coisas em risco. A confiança, inocência e um coração. 
Cassandra

quarta-feira, dezembro 21

wings wouldn't help you

O mundo tornou-se escuro e frio. A magia que víamos com cinco anos apenas desapareceu. Os pesadelos tornaram-se realidade e agora pouco vivemos, tornou-se mais um sobreviver. Criaturas do escuro atormentam-me dia e noite. Perseguem-me procurando culpados pela sua desgraça. E eu choro e imploro, ajoelhando-me, por paz. Amor, paz e menos egoísmo. Não, afinal não. No fundo, desejo apenas coisas fúteis e materialistas mas na verdade, são coisas que quero mas que depois já não quero. Não sei explicar e com isto fico aleatória e escondida no tempo que passa. Passando a pertencer a um passado escuro e consequentemente, longínquo. O presente passa-me diante dos meus olhos castanhos claro e inexpressivos. A lágrima teima a cair e quando cai fica num passado não muito presente. Apenas a música me oferece o conforto que procuro e nada me pede em troca. Com a música, a voz que oiço, incessantemente, cala-se como a voz e embalo da mãe cala o choro de um bebé. A voz é estranhamente calma e eleva-se ao que desejo e mantêm-me inerte, deixando que as incertezas me assaltem e posteriormente, impelindo-me à escrita, à tristeza profunda do meu ser e ao humor de cão. À minha volta, todos procuram que eu os compreenda, que lhes dêem os melhores conselhos mas há-de chegar o dia em que nada terei para dizer. Nada sairá desta boca, nem um som. Apenas, ouvirei e acenarei com a cabeça para posteriormente, caminhar noutra direcção. Caminharei para bem longe. Tropeçando no vestido longo e branco. Caminho esse cheio de pedras e buracos. Caminharei sozinha por mais que os outros me digam que estarão sempre presentes. Sempre caminhei na ilusão da presença de quem mais gosto mas no entanto, verificou-se a minha solidão neste mundo. Sempre será assim. Perdidos na ilusão do que aparenta ser, convictos de que assim é. Acreditando piamente mas no fundo, só podemos contar connosco próprios e com o que somos capazes de fazer e criar, de modo a não passar despercebidos neste mundo.
re-publicado, Cassandra

domingo, dezembro 4

'se'

Um futuro. Temo-o acima de tudo. De não ser o que desejo. O passado, bem deixá-lo ir mas é no presente que mudamos tudo. É no presente que asseguramos um futuro ... e é no presente que aceitamos o passado. Se não sou capaz de assegurar-me um futuro, ninguém será e aí, o que será de mim? Perderei-me e o passado irá perseguir-me por nele não ter assegurado um futuro. Irei martirizar-me. God, tantos 'se' . Tantos verbos conjugados no futuro. Sou comodista. Acomodo-me facilmente. Grande defeito e contrariar algo que faz parte do nosso ser é um grande desafio mas isso já é meio caminho andando para garantir o futuro. Meu deus, como o tempo passou depressa. Parece ontem que estava no inicio do meu décimo ano e agora, estou a acabar. Estou a meses do futuro e depois da Universidade como será? Tenho passado o tempo a pensar. 'Arranjarei emprego na área em que me licenciei?' , 'Os meus pais conseguirão pagar-me a Universidade? Conseguirão aguentar-se sem mim?' Tantos 'se'! Dou em doida e acabo por desistir de procurar as respostas para estas perguntas. Apenas, consigo concluir, Resta-te assim, Cassandra ... trabalhares no presente e nunca mas nunca te acomodares, achando que outros farão por ti!

quinta-feira, dezembro 1

Our fault


Gosto do frio - Faz me sentir; Gosto de sentir, acima de tudo. Escrever. Escrevo sobre tudo e mais alguma coisa, mesmo que acabe não fazendo sentido, coloco as palavras no papel procurando expulsá-las de mim. Acima de tudo, além de as expulsar ... procuro não atingir quem amo. Porque nem sempre consigo colocá-las no papel e saiem disparadas embatendo no coração das minhas pessoas. Da mesma maneira em que amamos somos capazes de magoar na mesma medida. É o nosso defeito como seres humanos, como gente que sente e se comove. Ando demasiado emotiva. Quando dou por mim, já as lágrimas caiem! E por mais irónico que pareça (tudo na minha é quase cinco estrelas), tenho chorado por injustiças. Animais que sofrem às mãos dos seres humanos. Crianças abandonadas. Tenho tudo o que necessito, não posso dizer que me falta isto e aquilo. Choro porque não posso fazer nada. Sou uma. Apenas, uma pessoa a batalhar contra isto ... É necessário mais que eu. Como não posso mudar O Mundo, mudo o meu mundo, o meu pequeno mundo e ajudo quem mais precisa mas ao ver outros que estão fora do meu alcance, choro! Não consigo evitar.
Cassandra

domingo, novembro 27

Fado

Fado. Vejam lá se falam sobre o Fado. Se ligam a isto. Alguém sabe o que aconteceu? Acredito que aqui no blogue saibam mas se forem ao Facebook e virem os vossos Contactos. Aposto que nenhum deles sabe o que aconteceu ao Fado, ao estatuto que ganhou de ontem para hoje. Só falam da estupidez das pessoas, sim pessoas porque não podemos dizer 'Ah é do Sporting, é incendiário!', 'Ah é do Benfica matou alguém' - POR AMOR A DEUS!
Comportem-se como Humanos e não como macacos! O português cada vez desce mais na minha consideração. Tenho dito.

sábado, novembro 12

what if dreams change?

 
«É esta a questão com que me deparei ontem à tarde ao ver um filme num dos canais televisivos, que agora não me ocorre qual. E se os sonhos mudam? Aquilo que sonhas desde sempre, que lutaste por ele desde que te conheces? Que moveste montanhas por esse sonho? E se chegas ao destino e simplesmente, não sentes nada?
De certo, ao lutares por este sonho, deixaste outros pequenos sonhos para trás, fizeste as tuas escolhas e magoaste pessoas! E se, quando estiveres a praticar esse teu sonho e a ser reconhecida(o) pelo que fazes, simplesmente não sentires nada? Simplesmente, achares que estás a realizar o sonho de alguém e que não o teu.
É estranho pois foste apoiada(o) para perseguires o teu sonho e muitas das vezes, colocaram-te obstáculos no teu caminho mas tu, com toda a força que possuis, com toda a força que o desejo de quereres realizar-te te dá, moves esses obstáculos, passas por cima deles, obrigaste a certas rotinas, chegas ao fim do dia estoirada mentalmente e fisicamente, tudo o que fizeste durante esse caminho para poderes alcançar, no seu auge, esse sonho que possuís desde que te conheces para depois, chegares lá e sentires um vazio, uma dormência. Sentires apenas um Nada. E o que fazes neste momento? De certo que ao perseguires o teu sonho, desperdiçaste anos de vida. De certo que agora não sabes o que fazer. Serás capaz de mudar radicalmente só porque sentiste que, apesar de seres boa no que fazes, não te preenche e continuas vazia? Ou apenas, arranjavas uma desculpa esfarrapada e continuas a realizar o sonho de uma outra miúda?
Este assunto deu-me imenso que pensar. Não paro de pensar no que será e como será quando acabar a universidade. Tenho medo de que ao estar a realizar o meu sonho este não me preencha e sinta que estou a fazê-lo por fazer. Isto não é um Capricho. Há que ser feliz e sentir-se realizada profissionalmente, em primeiro lugar tentar e ter como único objectivo realizar-me profissionalmente mas depois, se o que tinha em mente e criado nela, não corresponde à realidade e apenas estar a realizar o sonho de outrem?! É frustrante. Percorrer um caminho para o qual achamos ser o melhor e depois afinal, não te preencher e sentires-te apenas vazia. E se os sonhos mudam?»

re-publicado, por Cassandra 

quarta-feira, novembro 2

labirinto mental

"Acordei sobressaltada como acontece a cada noite em que o meu inconsciente decide pregar-me partidas. Estava dentro de um carro e pelo que fui observando, estava em Nova Iorque. Naquela cidade onde são realizados sonhos e onde crescem outros a uma velocidade estonteante. Sinto uma tontura e quase que perco os sentidos e quando me apercebi, encontrava-me à beira de um precipício. A figura do caro tinha desaparecido. A sensação de felicidade, infelizmente, tinha também desaparecido para dar lugar à sensação de culpa, de que não tinha mais razões para viver.
Observei-me e vestia aquele típico vestido branco mas não era aquele que vês e encontras facilmente. Era um vestido de noiva. Cauda em forma de funil e consideravelmente, longa. Véu e cabelo preso. Senti algo nas mãos. Um ramo de orquídeas, as minhas preferidas, meticulosamente arranjadas. Com o susto e incerteza do que raio se estava a passar, o ramo escorregou por entre os meus longos dedos e caiu. Observei a sua queda e as pétalas a pairarem, inexpressivas. Não vi o fundo àquele precipício nem, na sua largura e imponência, o lugar onde o ramo caiu, inanimado mas também não era o que mais importava naquele momento mas eu sentia que sim e como não fazia a ideia de onde estava, porque estava assim vestida e porque razão me sentia assim, as perguntas surgiram à velocidade da luz na minha mente e fui assaltada por uma vontade inexplicável de chorar. Perdi as forças e quase caí para a frente, onde decerto iria de encontro à morte, ao ramo de orquídeas. Morta, o mais certo. Recuei instintivamente e senti-me cair de costas e nesse escasso tempo em que estava a cair, o cenário mudou. Já não vestia aquele vestido imaculado mas sim uns calções de ganga, top floreado e saltos altos. Caí desamparada nos braços de alguém. Sei-o pois senti o seu calor, o seu respirar e bater acelerado do seu coração, o que provocou uma sensação de bem-estar e um sorriso involuntário.
- Estás bem?
Olhei aquele ser com olhos de ver e constatei que nunca tinha visto algo tão bonito. Moreno, olhos verdes e traços do rosto, simplesmente, lindos aos meus olhos. Fiquei sem noção, sem jeito e simplesmente afastei-o de mim e saí dali. Quer dizer, nem sabia bem onde me encontrava. Apesar da pressa de sair, consegui registar na minha mente pequenos detalhes sobre aquele local e à primeira impressão, parecia uma festa numa casa enorme. Senti um calor inexplicável e a sensação de que devia sair dali. Abri cada porta e estas apenas, iam dar a outras divisões da casa. Era abordada e convidada a um shot ou até mesmo a um selo. Nem me dava ao trabalho de responder, fechava a porta e obrigava os meus pés a efectuarem meia-volta com o simples objectivo de encontrar uma saída. Após busca intensiva e de constatar, por mais estranho que fosse, a inexistência de janelas, avistei um jardim. Obriguei-me a correr procurando sair daquela propriedade. Questionei-me da quantidade de tempo que teria passado, o meu corpo gritava para que eu parasse mas aquele jardim parecia não ter fim e eu queria uma saída. Cada vez que me distanciava, avistava de novo a piscina e aqueles seres loucos a festejarem. Não havia fim. Frustrada, sentei-me e decidi abordar uma rapariga.
- Hey, há alguma maneira de sair daqui? disse, tocando-lhe para que ela me olhasse. Os olhos dela pareciam possuídos. Quer dizer, ela parecia possuída e para comigo pensei, efeitos das drogas sem dúvida e apenas obtive dela uma frase repetitiva "Não há saída! Não há saída!" com uma voz rouca e monótona. Assustada, tentava perceber quem ela era pois aquela cara, não me era estranha.
A Tatuagem. O dragão desenhado meticulosamente a envolver os seus dedos. Só podia ser a Mel. Tentei chamá-la e nenhum som saiu da minha boca. Senti alguém a puxar-me e afastar-me dela e apenas, tentava desesperadamente chamá-la com intenção de que ela acorda-se daquele transe. Mudei de objectivo. Ela já estava longe. Tentei soltar-me e nesse momento, senti uma dor indescritível e parecia que estavam a arrancar-me a pele. Os meus olhos teimavam em fecharem-se e eu apenas lutava contra isso mas fui fraca. Desmaiei.
- Amy? Amy?
Esta voz não me era estranha. Abri os olhos e era a Mel.
- O que se passou? Estás bem? Tomaste alguma droga? Que casa era aquela? Mel, responde! Sei que era real. Só podia ser real. Tinha que ser real. Eu vi e senti, TUDO! Onde estou?
O quarto era branco. A Mel estava do outro lado e via a partir de uma janela. Tentei levantar-me e constatei que estava amarrada à cama. Desatei a gritar.
- Mel? Que raio se passa? Isto é um sonho? Mel? Mel?
Comecei a chorar e a tentar libertar-me. A Mel entra no quarto, abraça-me e sussurra-me ao ouvido.
- Voltou a acontecer. Não é um sonho. Tens um problema e tens que admitir isso. Vês coisas que não existem, Amy. Precisas de ajuda. Desculpa.
Beijou-me a face e vi os seus olhos a querer inundar-se em lágrimas.
- Onde vais? Mel?
- Amy, a tua mente prega-te partidas. Já não sabes distinguir o que é real ou não!
- Eu sei que és real, Mel!
- Sim, sou mas a tal casa, o vestido de noiva, o carro não são reais.
- Como sabes disso?
- Eu vi! Tu, no nosso apartamento, estavas ... nem sei! Assustaste-me a sério, Amy. Apenas, já não distingues. Agora, deixa-me ir. Está na hora do comprimido.
- Não! Mel, não vás! Não quero tomar aquilo! Tira-me o que sou. Mel, não vás - as lágrimas já caiam. A voz já falhava e parecia que nada do que eu pudesse dizer iria fazer com que a Mel me tirasse dali.
- Adeus, Amy.
E saiu. Naquele momento, fiquei sozinha mas por pouco tempo. A enfermeira entrou e deu-me o tal comprimido. Assim que o engoli, tudo ficou escuro aos meus olhos e adormeci, deixando que o eu se fosse embora. Sim, confesso já não sei o que é ou não real. Vivo presa entre dois universos paralelos. Os comprimidos e o isolamento são o cocktail perfeito para me manter distante das alucinações. Até àquele dia.
20 de Outubro de 1990. Faziam questão de me dizer que dia era. Neste dia, escrevi isto tudo e programei durante uma semana, recolher todos os comprimidos, fingindo que os tomava. Separados faziam a sua função, juntos eram o Cocktail perfeito para um suicídio. Chegou dia 20 e numa ida à casa de banho, ingeri-os todos de uma vez. Disse Adeus a um dos universos, ao real e agora sim, estava no meu lugar, onde pertencia. E foi naquele dia que vi por uma última vez a Mel e ela olhou-me sabendo o que iria fazer.Vou ter saudades dela. Apenas renasci e deixei de estar dividida entre o real ou não e passei a pertencer ao real da minha mente."

por Cassandra, outrora publicado

terça-feira, novembro 1

já (...)

Já não acredito em finais felizes. Já não acredito em 'felizes para sempre'. Já não acredito facilmente nas palavras, elas podem esconder a face mais horrível de uma pessoa. Já não acredito em Deus. Já não acredito na força de vontade. Já acreditei mais em 'mudar'. Já fui influenciável. Já sei em quem confiar a minha vida e por quem devo colocar as mãos no fogo. Já sei que as pessoas são egoístas e que nada fazem pelos outros sem que isso também os favoreça. Aprendi com a minha mãe a dar sem esperar que devolvam mas durante muito tempo chorei por quem não devolveu o que eu lhe dei e não pedi pela mesma medida. Já li e crie contos de fadas. Já me partiram o coração com a mais pequena mentira mas que pôs em questão tudo o que eu tinha definido e acreditado. De mim, só podem esperar 'porquês'. De mim, não devem esperar nada até eu dar mas depois não acreditem que o faça 'sempre'. Já fui uma cabra insensível e tratei pessoas abaixo de cão mas hoje, acredito que mereciam! Já ignorei a ajuda de pessoas que apenas queriam o meu bem. Já aceitei a ajuda de pessoas que apenas tencionavam empurrar ainda mais para baixo no buraco. Já errei e irei errar sempre. Irei sempre errar na escolha e decisão mas hei-de sempre resolver à minha maneira e de maneira a que chore o menos possível. Já fiz tanta coisa e apenas me arrependo daquelas em que magoei terceiros desnecessariamente. Não me arrependo de me magoar, de bater com a cabeça pois só irei aprender com isso e sobreviver. Já acreditei cegamente em alguém que me manipulou mas também se arrependeu de tal coisa. Simplesmente, deixei de acreditar em certas coisas e noutras acredito cegamente mas sei que mais cedo ou mais tarde, irei constatar que fui, mais uma vez, iludida! Aquilo que julgava que era, revelou-se. Iremos sempre errar. Estou farta de ter medo mas há coisas em que temos que acertar à primeira pois está em jogo o nosso futuro, a nossa vida. Está em jogo tudo o que é precioso e de ouro para mim. Por último, já não acredito em promessas e é, neste ponto que me arrependo mas apenas, já não consigo acreditar!
E é assim que irá ser.

por Cassandra, à muito escrito.

do you believe in god?

Ontem, ia a sair de casa descansadinha da vida e dou de caras com um rapazinho alto, magro, óculos sorrindo para mim e prestes a tocar à campainha. Cumprimentou-me e fiquei atordoada porque o rapaz até era sexy. Olhei-o de alto a baixo discretamente, calças vincadas pretas, camisa dentro das mesmas e pasta na mão, também preta - um autêntico homem de negócios! Pensei cá para mim, 'pronto um vendedor ambulante!' e depois, ele começa a desbobinar a razão de estar ali e pensei logo, "melhor ainda, vendedor de religião! Isto vai ser complicado de despachar." Depois ele sai-se com esta 'Tu acreditas em Deus?' e eu gaguejei, confesso mas logo disse 'Sinceramente? Não!' e ele sorriu. Fiquei sem jeito, mesmo mas depois começou a descarregar meia dúzias de frases decoradas sobre o que a Ciência não explica e que só pode ser 'mão de um Deus' e eu fingia que ouvia e articulava certas frases na minha cabeça como resposta aquando ele se cala-se mas depois acabei por apenas, sorrir e dizer 'Estaríamos aqui, noite e dia, e cada um a puxar para o seu lado!' e entregou-me uma revista com o título 'Terrorismo' e com pequenos sub-títulos 'Por que acontece? Quando acabará? ' e sorri inevitavelmente, ao ler isto. É que só acabará quando o Homem começar a ter algum sentido de humanidade, algum amor para dar. É que os chefões estão atrás de uma secretária, num escritório luxuoso e com uma secretária que lhes traz o café a meio da manhã enquanto lá fora as pessoas sofrem com os documentos e negociações que fizeram em quatro paredes! E no fim, apertam as mãos sorrindo e achando que fizeram o melhor. Será que fizeram? Não me parece! Esses Chefões pouco sabem do Mundo, pouco vêem do Mundo! Crianças esfomeadas, órfãs por causa da guerra. Eu poderia ser uma dessas crianças mas tive a sorte em nascer num sitio bom para viver e com uns pais decentes mas há crianças que não têm essa sorte. Então, só depois reparei que por trás do rapazito estava um homem de meia-idade e começou com o seu discurso 'Estás a ver aqui o polegar? Se não o tivéssemos? Que sentido teria? Isto não é um acaso, foi Deus!' e na minha cabeça rolavam as palavras 'Células, ADN, Recombinação, matéria, e se ficasses sem ele, olha têm mais cuidado!'. Consegui despachá-los mas isto ficou-me na cabeça. Quando nos acontece alguma coisa, aceito que por vezes, temos a necessidade em acreditar em algo .. Cada um à sua maneira! Uns em Deus, outros neles próprios, outros em Alá e em todo o leque de regiões que existem. Os típicos argumentos para apontar à Ciência é 'Então, donde veio a matéria para o Big Bang? Como apareceu?' - Claro que a Ciência não sabe explicar isso mas encontrou tratamentos, vacinas para doenças que outrora levavam milhares de pessoas à morte! Sinceramente, gostava que a Ciência e a Religião não andam-se neste jogo do gato e do rato e que se aliassem pois só sairiam a ganhar com tal união. E agora deixo o que o homem de meia-idade me disse assim que lhe virei as costas 'É preciso muito mais fé para não acreditar em Deus do que para acreditar nele' - queridos seguidores, discordo plenamente desta afirmação, que dizem? E digo já que sou crismada mas neste mundo, não há lugar para acreditar em algo que não vemos, é demasiado vago, é acreditar cegamente e nisso, eu não sou capaz! Acredito que há coisas que o Homem não precisa de saber mas a sua sede de conhecimento total é o que nos irá destruir. Não desaprovo as pesquisas da Ciência mas há que fazê-las com pés, tronco e membros e caso, ainda não tenho percebido refiro-me ás experiências em animais inocentes e os Cientistas respondem 'Se não as fizéssemos, não encontraríamos as respostas para os tratamentos' e ficamos assim, neste impasse mas pior que isto, é o modo como humanos tratam os animais. Então, como é que a Religião explica isto? Como é que explica o mal que o ser humano é capaz de causar, sem pestanejar, no próximo e tudo a seu proveito?! Supostamente, Deus criou-nos como iguais, com os mesmos valores. A Religião explica isto dizendo que existe um 'Satanás', como é que eu posso acreditar nisso? No Céu e no Inferno? God, que fantasia! Confesso que por vezes, vou à missa e ali aprendo imenso pois as pessoas que frequentam a Igreja, não generalizando, são completamente falsas! Rezam e dizem-se cristãs, que seguem os Mandamentos da Lei de Deus mas a partir do momento em que saem daquelas paredes, são as pessoas mais mesquinhas, mais cuscuvilheiras, sem escrúpulos à face da terra! Agora, como é que Deus permite que pessoas assim, frequentem a Sua casa e se digam cristãos?! Se calhar, porque não existe. Então, a Bíblia foi escrita por quem? Hm, por supostos seguidores de Deus, Homens como eu e tu, ou seja, até eu poderia escrever tal coisa .. Cá para mim, na altura abusavam no LSD. Na altura, eles tinham a necessidade de acreditar em algo que os ajudasse a manterem-se vivos pois não era fácil. Muitas guerras, homens cruéis, o caos total, o Inferno na Terra! Agora, não me venham com coisas de o 'Mundo vai acabar' e vai, porque icebergs estão a derreter, mudanças de clima, animais extintos, poluição, e por aí. Vocês sabem, não se fala de outra coisa! O Mundo vai acabar não porque um Deus quer mas sim porque o Homem, assim quer! E fica dito. E agora, vocês perguntam-se, o que vais fazer tu para mudar isto tudo? Primeiro, não vou deixar andar. Não vou pensar como aquele típico português 'ah mais um pedaço de papel para o chão, não faz diferença!' - Damn it, claro que faz! Se faz a diferença para melhor a menos então para mais, claro que faz diferença. Faz-me pensar que é uns a puxar para um lado e outros para o outro. O que digo a estas pessoas que acreditam piamente em Deus, é que Deus não nos irá salvar quando estivermos a morrer à fome por falta de comida, quando estivermos a morrer à sede por falta de água ou abundância dela mas totalmente intragável! Quem nos irá salvar, somos nós próprios e isto começa por meterem na cabeça que nada dura para sempre e que mesmo que não estejamos cá, os nossos filhos e netos irão sofrer com as nossas asneiras. Em vez de andarem de porta em porta, a procurar crentes e a demover descrentes, deviam preocupar-se com o Mundo, com aquele parcela de terra que não têm árvores, com aquele animal que é uns dos últimos da sua espécie. Apenas, acho que escolheram a batalha errada para travar.

por Cassandra, um texto já publicado no outro blogue.

segunda-feira, outubro 24

sobre confiança (...)

Apetece-me falar sobre confiança! Há vários tipos de confiança e acredito que a única pessoa em que se deve confiar plenamente e sem qualquer medo de ser atraiçoado(a) é em nós mesmos. Então, de volta aos vários tipos de confiança ... bem, há aquela confiança cega em nossos pais que nós é imposta, basicamente. Mas como tudo na vida, passamos por fases e eu estou naquela fase, em que dei o benefício da dúvida e decidi confiar cegamente e basicamente, conto tudo à minha mãe! Tudo correu bem nos primeiros tempos mas o meu excesso de confiança acabou por se virar contra mim e agora, toda e alguma decisão que a minha mãe toma basea-se no que ela sabe de mim e isso é deveras, frustrante pois afinal, todo o discurso de 'além de mãe, sou amiga' foi para ao fim de contas, ela agir como mãe perante os meus desabafos enquanto a via como amiga e desde aí, que sou controlada ... ainda mais!
Continuando, a confiança que depositamos na pessoa que acabamos por intitular de 'melhor amiga(o)', essa é para mim, a mais genuína e pura confiança! Eu consigo confiar melhor os meus problemas à minha melhor amiga do que à minha mãe desde que ela começou a comportar-se assim ... Então, aqui entra também a confiança que depositamos em nossos irmãos, quer sejam mais novos ou mais velhos - Nós, automaticamente, achamos que podemos confiar! Eu confio na minha irmã mas há coisas que ela não necessita de saber pois é digno de ficar em mim ou de ser partilhado apenas com a melhor amiga(o). Outro tipo de confiança, é no namorado(a)! Aqui, as coisas confundem-se. A confiança, de que acreditamos que este não nos irá trair e a confiança que impera na melhor amiga(o).  Sempre acreditei que antes de se ser namorado(a) é preciso ser-se amigo(a) e confiar, conhecer-se minimamente a pessoa com quem iremos partilhar saliva. O essencial! E depois com o tempo que se irá passar como namorados, as coisas sobre cada um, os ideiais de cada, virão ao de cima perante situações que o casal irá enfrentar! E por fim, sobra as relações que temos com os humanos que se cruzam connosco, que partilham sonhos, turmas e conhecidos. Há que ter uma confiança nestas pessoas. Uma confiança com que se inicia a partilha de coisas. Nada demais, uma confiança que não faz mal a ninguém! Já fui acusada de dar confiança demais a desconhecidos porque é isso que as pessoas de fora vêem! O que elas não vêem, é que isso faz parte! Devemos dar um sorriso mesmo que estejamos com uma vontade imensa de chorar ou até mesmo com uma raiva inexplicável. Acho que essa pessoa que não conhecemos de lado nenhum não tem que levar com a nossa má disposição para isso, estão lá aqueles em que confiamos e por quem colocamos as mãos no fogo. São esses que devem levar com o nosso mau humor, birras e com toda o nosso discurso sobre o que está mal e o que não temos culpa! Para mim, não é quem nos vê diariamente que deve levar com esse tipo de coisas mas também acho que não devemos ignorar cada ser com duas pernas que se cruza connosco com um ar taciturno e de que toda a gente nos deve e ninguém nos paga, acho que devemos sorrir e dizer 'bom dia' e isso para mim, não é confiança! É uma amostra! Acho que as miuditas de hoje em dia, confundem a popularidade com a confiança e misturam estes conceitos todos e daí saí um cocktail explosivo! E fazem de tudo para serem populares, mesmo que isso implique andarem nas bocas das pessoas pelas razões erradas! Acho que já estou a dispersar mas no fundo, tudo gira à volta da confiança porque em tudo o que façamos que incluía um terceiro, devemos ter um mínimo de confiança e daí achar que há vários tipos de confiança! E poderia continuar a falar sobre isto .. poderia estender-me à confiança em que depositamos a nível profissional mas neste campo, tenho só a experiência que os trabalhos de grupo na escola me deram e digo-vos que é bastante difícil confiar nos parceiros de trabalho quando este conta para nota e vemos que estão a usar o mínimo das suas capacidades para o sucesso do trabalho! Se pudesse faria tudo ás minhas custas, apenas confiando no meu instinto e capacidades mas como vivemos em sociedade, temos que confiar mas não significa que não podemos estar com um olho no burro e o outro no cigano ... e noutras vezes, confiar 'cegamente' porque faz parte as cabeçadas que damos na parede ... agora, o tamanho do buraco que fazemos é que depende de nós mesmos.
Cassandra