101.
Se a nossa vida fosse um eterno estar-à-janela, se assim ficássemos, como um
fumo parado, sempre, tendo sempre o mesmo momento de crespúsculo dolorindo a
curva dos montes. Se assim ficássemos para além de sempre!
Se ao menos, aquém da impossibilidade, assim pudéssemos quedar-nos, sem
que cometêssemos uma acção, sem que os nossos lábios pálidos pecassem mais
palavras!
Olha como vai escurecendo!... O sossego positivo de tudo enche-me de raiva,
de qualquer coisa que é o travo no sabor da aspiração. Dói-me a alma... Um traço
lento de fumo ergue-se e dispersa-se lá longe... Um tédio inquieto faz-me não
pensar mais em ti...
Tão supérfluo tudo! Nós e o mundo e o mistério de ambos.



















