quarta-feira, novembro 9

é nestas noites frias, solitárias ...

que o meu coração se aperta e teme por nós mas, principalmente por ti que estás sozinho e longe do meu coração. Questiono-me se sentes saudades minhas mesmo que tenhamos passado a tarde juntos embebidos nas nossas brincadeiras, abraços e beijos. Especialmente, arrepios porque um de nós tem sempre as mãos frias e matreiramente procuramos aquecê-las no calor do outro. Além das mãos, aquece-se também o coração e sente-se uma sensação de cheio, abarrotar!
Já experimentamos a Primavera-Verão juntos e agora, irá começar algo desconhecido ao nosso amor: Outono-Inverno. A cada dia que passa, o meu coração chega quente a casa e arrefece durante a noite para que na manhã seguinte, seja de novo aquecido ... por ti. Interrogo-me também como será dormir nos teus braços em noites frias de Inverno, em como será ter o coração quente durante a noite fria ... Decerto, uma sensação na minha lista de 'afazeres' para este Inverno.
Enquanto não risco este 'afazer', saboreio-me de ti nos dias frios e alimento o sonho de noites quentes. É óptimo recordar contigo momentos que passamos. É interessante olhar para trás e ver cada decisão minha e mais uma vez, pergunto-me: arrependeste-te? E, sem hesitar, « Nem pensar!» De facto, faria tudo de novo. Se calhar apenas com melhoramentos. O que vale é que só experienciamos uma única vez e nunca poderemos, na verdade, de repetir de maneira igual porque já não há a sensação de desconhecimento! Apenas, ficamos com a recordação do que sentimos e devemos avançar pois ficar preso à procura de sentir de igual maneira é tempo perdido. Na verdade, a sensação de descobrir perdura entre nós. O desconhecimento de cada um é constante! Por isso, a cada beijo parece-se com o primeiro, a cada abraço, a cada toque, a cada carícia é sentido como se fosse o primeiro e é isso que nos mantêm vivos ... a nós e ao nosso amor, meu rapaz. A única coisa que está em constante renovação, é o meu amor por ti. Amo-te cada vez mais a cada descoberta que faço de ti e de mim. Simplesmente, consigo amar-te ainda mais, cuidar de ti ainda mais. Mais uma vez, amo-te incondicionalmente, meu amor ♥
com amor, de mim para ti, Cassandra

terça-feira, novembro 8

em vista, dois concertos: Machine head daqui a duas semanas e depois em Janeiro, LMFAO. God, como eu gostaria de ir *.*

a miúda cá da casa



-Que tal, serem uns queridos e darem-me sugestões de nomes para a menina?

domingo, novembro 6

os rapazes cá da casa




being us, only us.


Voltámos a honrar as sextas, a recordar tardes perdidas por entre o corpo de cada um, a sentir-nos, a cheirar-nos, a recordar como é bom sermos «nós». A ter ainda mais certezas sobre o nosso amor e o quanto lutamos por ele. É bom saber que estamos juntos nisto e que nenhum de nós, desistiu até agora. É bom saber que este amor é real, verdadeiro e eu e tu, temos a sorte de o sentir ... de verdade!
com amor,  de mim para ti, Cassandra

sexta-feira, novembro 4

Nem perdida nem achada, IV

« 4
Era noite do dia das Bruxas. A Cassie e Shelly já tinham saído. Esta noite, excepcionalmente, atrasei-me. Não era uma noite como as outras porque o dia seguinte é feriado e então o Energia, enchia-se de homens à procura da sua fantasia em forma de mulher. Naquele ano como todos os outros, vesti-me de branco e não estava realmente assustadora mas sim, sexy e sentia-me bem porque retratava aquilo que restou da minha adolescência. A pureza ditada pelo branco misturada com a sensualidade do meu trabalho no tamanho da roupa. Vi-me ao espelho uma última vez e saí do apartamento. Como flutuando no ar, desci cada degrau em cima dos meus saltos monstruosos e senti-me observada. Olhei em redor e fixei o meu olhar na floresta. Sempre me senti segura neste ambiente e agora devido á situação em que estou metida, sinto medo da floresta e ao mesmo tempo um fascínio por ela. Já dentro do Energia, o calor humano aumentou. Dirigi-me a uma entrada por trás do palco e cumprimentei cada rapariga. Estavam todas a dar os últimos retoques. De repente, ouve-se um som característico do microfone e uma voz austera e forte, « Boa noite, gentlemans! Hoje como tema teremos as nossas dançarinas vestidas das mais diversas fantasias! So enjoy it! » gargalhando no fim, o Chen. Houve um clamor de palmas. Entramos no palco e deixamos um pouco da nossa dignidade nele.

O bar estava a fechar. Levava os sapatos na mão, já não aguentava tê-los nos pés. De repente, sou abordada por um grupo de homens que se encontrava à entrada do bar, completamente bêbedos. “Então, querida?! Eu via-te melhor de costas!”, exclamou o mais velho, completamente de olhos revirados e ar rebarbado. Aconcheguei-me ao casaco que tinha e tentei seguir o meu caminho sem os olhar mas de repente, o mais novo agarra-me pelo braço e proclama, por entre soluços: “Quanto levas?”. Dei-lhe um estalo. Os outros alvoraçaram-se e começaram a chamar puta , vadia, cabra. Rodearam-me e começaram a tocar-me. Tentei gritar. Nesse mesmo instante, levei um soco que me pôs a deitar sangue do lábio e perdi o equilíbrio. Numa tentativa desesperada de defesa, atirei os sapatos ao grupo mas nem isso os fez afastarem-se. Ouço um som característico de séries policiais. Um tiro. Paralisei completamente e ainda cambaleante do soco, caí. Eles dispersaram. Senti uns braços fortes e cheiro a terra molhada. Apaguei mas ainda senti que estava a ser levada para algum lado. Na manhã seguinte, acordei rodeada pela Cassie e pela Shelly. “Então, que merda aconteceu ontem?” proferiu a Shelly com cara de ensonada. “ Vieram aqui deixar-te, Lila!”, disse a Cassie, enquanto a Shelly continuava com as suas perguntas. Tentei responder mas doía-me imenso o lábio. Proferi apenas ‘bêbedos’, ‘atacaram-me’, ‘soco’ e ‘um homem’. Elas entenderam com estas meias palavras. Já sabiam o que a casa gasta! Nunca soube quem me trouxe para casa. Elas não souberam descrevê-lo. Nunca me interrogaram sobre essa noite e foi quase como se não tivesse acontecido, excepto o meu lábio inchado para o comprovar. Ainda hoje, após 2 anos, procuro esse homem e o cheiro a terra molhada. Ele bem podia ter me violado ou assim mas decidiu deixar-me em casa e tomar conta de mim. Salvou-me a vida e é algo, que neste mundo, é raro encontrar! Elas sempre gozaram comigo e diziam no tom de gozo ‘O teu príncipe encantado deixou-te! Nunca o irás encontrar’ mas nunca perdi a esperança tal como nunca deixei de acreditar que há excepções e nem todos escolhem ser maus! Claro que com o tempo essa minha esperança foi-se perdendo e o facto, de ainda continuar neste antro, só ajudou a constatar de que todos praticam o mal e o bem só é praticado por quem quer. »
Consegues preencher cada lacuna minha.

quarta-feira, novembro 2

Aconteceu que Coldplay está a ser a banda sonora do meu Outubro/Novembro.

labirinto mental

"Acordei sobressaltada como acontece a cada noite em que o meu inconsciente decide pregar-me partidas. Estava dentro de um carro e pelo que fui observando, estava em Nova Iorque. Naquela cidade onde são realizados sonhos e onde crescem outros a uma velocidade estonteante. Sinto uma tontura e quase que perco os sentidos e quando me apercebi, encontrava-me à beira de um precipício. A figura do caro tinha desaparecido. A sensação de felicidade, infelizmente, tinha também desaparecido para dar lugar à sensação de culpa, de que não tinha mais razões para viver.
Observei-me e vestia aquele típico vestido branco mas não era aquele que vês e encontras facilmente. Era um vestido de noiva. Cauda em forma de funil e consideravelmente, longa. Véu e cabelo preso. Senti algo nas mãos. Um ramo de orquídeas, as minhas preferidas, meticulosamente arranjadas. Com o susto e incerteza do que raio se estava a passar, o ramo escorregou por entre os meus longos dedos e caiu. Observei a sua queda e as pétalas a pairarem, inexpressivas. Não vi o fundo àquele precipício nem, na sua largura e imponência, o lugar onde o ramo caiu, inanimado mas também não era o que mais importava naquele momento mas eu sentia que sim e como não fazia a ideia de onde estava, porque estava assim vestida e porque razão me sentia assim, as perguntas surgiram à velocidade da luz na minha mente e fui assaltada por uma vontade inexplicável de chorar. Perdi as forças e quase caí para a frente, onde decerto iria de encontro à morte, ao ramo de orquídeas. Morta, o mais certo. Recuei instintivamente e senti-me cair de costas e nesse escasso tempo em que estava a cair, o cenário mudou. Já não vestia aquele vestido imaculado mas sim uns calções de ganga, top floreado e saltos altos. Caí desamparada nos braços de alguém. Sei-o pois senti o seu calor, o seu respirar e bater acelerado do seu coração, o que provocou uma sensação de bem-estar e um sorriso involuntário.
- Estás bem?
Olhei aquele ser com olhos de ver e constatei que nunca tinha visto algo tão bonito. Moreno, olhos verdes e traços do rosto, simplesmente, lindos aos meus olhos. Fiquei sem noção, sem jeito e simplesmente afastei-o de mim e saí dali. Quer dizer, nem sabia bem onde me encontrava. Apesar da pressa de sair, consegui registar na minha mente pequenos detalhes sobre aquele local e à primeira impressão, parecia uma festa numa casa enorme. Senti um calor inexplicável e a sensação de que devia sair dali. Abri cada porta e estas apenas, iam dar a outras divisões da casa. Era abordada e convidada a um shot ou até mesmo a um selo. Nem me dava ao trabalho de responder, fechava a porta e obrigava os meus pés a efectuarem meia-volta com o simples objectivo de encontrar uma saída. Após busca intensiva e de constatar, por mais estranho que fosse, a inexistência de janelas, avistei um jardim. Obriguei-me a correr procurando sair daquela propriedade. Questionei-me da quantidade de tempo que teria passado, o meu corpo gritava para que eu parasse mas aquele jardim parecia não ter fim e eu queria uma saída. Cada vez que me distanciava, avistava de novo a piscina e aqueles seres loucos a festejarem. Não havia fim. Frustrada, sentei-me e decidi abordar uma rapariga.
- Hey, há alguma maneira de sair daqui? disse, tocando-lhe para que ela me olhasse. Os olhos dela pareciam possuídos. Quer dizer, ela parecia possuída e para comigo pensei, efeitos das drogas sem dúvida e apenas obtive dela uma frase repetitiva "Não há saída! Não há saída!" com uma voz rouca e monótona. Assustada, tentava perceber quem ela era pois aquela cara, não me era estranha.
A Tatuagem. O dragão desenhado meticulosamente a envolver os seus dedos. Só podia ser a Mel. Tentei chamá-la e nenhum som saiu da minha boca. Senti alguém a puxar-me e afastar-me dela e apenas, tentava desesperadamente chamá-la com intenção de que ela acorda-se daquele transe. Mudei de objectivo. Ela já estava longe. Tentei soltar-me e nesse momento, senti uma dor indescritível e parecia que estavam a arrancar-me a pele. Os meus olhos teimavam em fecharem-se e eu apenas lutava contra isso mas fui fraca. Desmaiei.
- Amy? Amy?
Esta voz não me era estranha. Abri os olhos e era a Mel.
- O que se passou? Estás bem? Tomaste alguma droga? Que casa era aquela? Mel, responde! Sei que era real. Só podia ser real. Tinha que ser real. Eu vi e senti, TUDO! Onde estou?
O quarto era branco. A Mel estava do outro lado e via a partir de uma janela. Tentei levantar-me e constatei que estava amarrada à cama. Desatei a gritar.
- Mel? Que raio se passa? Isto é um sonho? Mel? Mel?
Comecei a chorar e a tentar libertar-me. A Mel entra no quarto, abraça-me e sussurra-me ao ouvido.
- Voltou a acontecer. Não é um sonho. Tens um problema e tens que admitir isso. Vês coisas que não existem, Amy. Precisas de ajuda. Desculpa.
Beijou-me a face e vi os seus olhos a querer inundar-se em lágrimas.
- Onde vais? Mel?
- Amy, a tua mente prega-te partidas. Já não sabes distinguir o que é real ou não!
- Eu sei que és real, Mel!
- Sim, sou mas a tal casa, o vestido de noiva, o carro não são reais.
- Como sabes disso?
- Eu vi! Tu, no nosso apartamento, estavas ... nem sei! Assustaste-me a sério, Amy. Apenas, já não distingues. Agora, deixa-me ir. Está na hora do comprimido.
- Não! Mel, não vás! Não quero tomar aquilo! Tira-me o que sou. Mel, não vás - as lágrimas já caiam. A voz já falhava e parecia que nada do que eu pudesse dizer iria fazer com que a Mel me tirasse dali.
- Adeus, Amy.
E saiu. Naquele momento, fiquei sozinha mas por pouco tempo. A enfermeira entrou e deu-me o tal comprimido. Assim que o engoli, tudo ficou escuro aos meus olhos e adormeci, deixando que o eu se fosse embora. Sim, confesso já não sei o que é ou não real. Vivo presa entre dois universos paralelos. Os comprimidos e o isolamento são o cocktail perfeito para me manter distante das alucinações. Até àquele dia.
20 de Outubro de 1990. Faziam questão de me dizer que dia era. Neste dia, escrevi isto tudo e programei durante uma semana, recolher todos os comprimidos, fingindo que os tomava. Separados faziam a sua função, juntos eram o Cocktail perfeito para um suicídio. Chegou dia 20 e numa ida à casa de banho, ingeri-os todos de uma vez. Disse Adeus a um dos universos, ao real e agora sim, estava no meu lugar, onde pertencia. E foi naquele dia que vi por uma última vez a Mel e ela olhou-me sabendo o que iria fazer.Vou ter saudades dela. Apenas renasci e deixei de estar dividida entre o real ou não e passei a pertencer ao real da minha mente."

por Cassandra, outrora publicado