segunda-feira, abril 22
sábado, abril 20
Como tenho saudades tuas, meu amor
E como tu te afastas de mim, sei lá... quando estás com problemas afastas-me mas depois voltas e é aí que vejo como és importante para mim e em como, o facto de te afastares é algo que te dou e que não faço ondas porque vejo que precisas disso. Precisas de estar sozinho mas nesse tempo em que nem uma palavra me diriges, o meu coração aperta-se de preocupação por ti. E gostava de ser a pessoa com quem vens ter quando tens problemas em vez de te isolares... Tu és essa minha pessoa. Pergunto-me, como podemos partilhar tudo se te afastas quando algo te faz mal e nessa altura já não te posso ajudar porque te ajudaste a ti mesmo sozinho? Pergunto-me se devo procurar-te quando algo me faz mal, à procura de ombro para chorar? Podias simplesmente ter-me deixado abraçar-te mesmo que estivesses para ir embora.
desassossego XV
158.
A quem, embora em sonho, como Dis raptou Proserpina, que pode ser senão sonho o amor de qualquer mulher do mundo?
Amei, como Shelley, a Antiga antes que o tempo fosse: todo amor temporal não teve para mim outro gosto senão o de lembrar o que perdi.
Livro do Desassossego por Fernando Pessoa
sexta-feira, abril 19
quarta-feira, abril 17
terça-feira, abril 16
segunda-feira, abril 15
domingo, abril 14
desassossego XIV
115.
Assim organizar a nossa vida que ela seja para os outros um mistério, que quem melhor nos conheça, apenas nos desconheça de mais perto que os outros. Eu assim talhei a minha vida, quase que sem pensar nisso, mas tanta arte instintiva pus em fazê-lo que para mim próprio me tornei uma não de todo clara e nítida individualidade minha.
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
sábado, abril 13
desassossego XIII
48.
Para compreender, destruí-me. Compreender é esquecer de amar. Nada conheço mais ao mesmo tempo falso e significativo que aquele dito de Leonardo da Vinci de que se não pode amar ou odiar uma coisa senão depois de compreendê-la.
A solidão desola-me; a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa descaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir.
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
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