quarta-feira, abril 23

Foi como amor aquilo que fizemos
Sem manhã sujeitos ao presente;
Os dois carentes
Foi logro aceite quando nos fodemos.

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
O termos juntos
Sexo com ternura
Foi candura
Num clima de aparato e de sigilo

Émulos,A Naifa
és o meu aparato preferido

terça-feira, abril 22

Posso escrever sobre ti? Não, é melhor não.

domingo, abril 20

Porque é que a noite passa a voar?

sábado, abril 19

Acho que não há um dia em que não diga mentalmente ou até mesmo a falar sozinha ... "Odeio pessoas"

electric feel

Não sei se hei-de sentir ou pensar. Se calhar uma junção equilibrada de ambos ou então nenhum de deles. É sempre uma boa opção. Apenas existir. Porque pensar sugere opinião e é-me difícil guardá-la para mim... o que acaba por gerar algumas situações (des)necessárias e um misto de sentimentos. E há coisas que mais vale contornar e evitar. Que coisas, então? Coisas.

sexta-feira, abril 18

e a dor foi entrando em mim sem mentir
vi-te enfim erguer do chão
e sorrir como a construir o meu fim

ornatos violeta, como afundar

quinta-feira, abril 17

Não me chega o que ferve em mim. Tenho que absorver tudo e mais alguma coisa. Tornar o sofrimento meu, lidar e devolver de volta a quem pertence. Sem dor. Tudo resolvido como uma prenda no natal. Tenho que parar de fazer isso. A longo prazo, vai tornar-me frágil ou forte. 

terça-feira, abril 15

desassossego XXV

112. 
Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. O onanista é abjecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana. As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha’ complexidade. No próprio acto em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois "amo-te" ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma. Estou hoje lúcido como se não existisse. Meu pensamento é em claro como um esqueleto, sem os trapos carnais da ilusão de exprimir. E estas considerações, que formo e abandono, não nasceram de coisa alguma – de coisa alguma, pelo menos, que me esteja na plateia da consciência. Talvez aquela desilusão do caixeiro de praça com a rapariga que tinha, talvez qualquer frase lida nos casos amorosos que os jornais transcrevem dos estrangeiros, talvez até uma vaga náusea que trago comigo e me não expeli fisicamente... É de compreender que sobretudo nos cansamos. Viver é não pensar.

Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

quarta-feira, abril 9

Quando uma música fala por nós.

É bom ser teu amigo mas igualmente bom ser teu amante
Cantiga de Amigo, B Fachada

sábado, abril 5

«Não me leves tu a mal
Não me tentes convencer
que o que havia em Portugal não chegava para saber
Dei-te um mês da minha vida e um mês é de valor
e tu podes ser bastante querida mas não é preciso dor
para provar o desamor»

Desamor, B Fachada