sábado, abril 26

Estou numa zona de nevoeiro. Não quero sair. Sinto-me bem nesta visão turva que me abate. Vêm deitar o teu corpo nu junto ao meu. É só um convite a uma aventura ilimitada de sentidos. 
Deixa-me inspirar-te. E manter-te de mãos dadas com a minha alma. Podíamos gerar o caos. Um todo para destruir e ficar nada. Apaga-me este fogo. Acende-me outra vez. Podíamos ser tanta coisa e fazer tantas outras. 
"Can we work it out? 
We scream and shout 'till we work it out
Can we just work it out?"

sexta-feira, abril 25

Lamento cada ausência minha na tua vida. Que dor de alma

desassossego XXVI


312. 
Há dias em que cada pessoa que encontro, e, ainda mais, as pessoas habituais do meu convívio forçado e quotidiano, assumem aspectos de símbolos, e, ou isolados ou ligando-se, formam uma escrita poética ou oculta, descritiva em sombras da minha vida. O escritório torna-se-me uma página com palavras de gente; a rua é um livro; as palavras trocadas com os usuais, os desabituais que encontro, são dizeres para que me falta o dicionário mas não de todo o entendimento. Falam, exprimem, porém não é de si que falam, nem a si que exprimem; são palavras, disse, e não mostram, deixam transparecer. Mas, na minha visão crepuscular, só vagamente distingo o que essas vidraças súbitas, reveladas na superfície das coisas, admitem do interior que velam e revelam. Entendo sem conhecimento, como um cego a quem falem de cores. Passando às vezes na rua, oiço trechos de conversas íntimas, e quase todas são da outra mulher, do outro homem, do rapaz da terceira ou da amante daquele. Levo comigo, só de ouvir estas sombras de discurso humano que é afinal o tudo em que se ocupam a maioria das vidas conscientes, um tédio de nojo, uma angústia de exílio entre aranhas e a consciência súbita do meu amarfanhamento entre gente real; a condenação de ser vizinho igual, perante o senhorio e o sítio, dos outros inquilinos do aglomerado, espreitando com nojo, por entre as grades traseiras do armazém da loja, o lixo alheio que se entulha à chuva no saguão que é a minha vida.

Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
está a ser mais difícil do que eu pensava. damn you.

quarta-feira, abril 23

Foi como amor aquilo que fizemos
Sem manhã sujeitos ao presente;
Os dois carentes
Foi logro aceite quando nos fodemos.

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
O termos juntos
Sexo com ternura
Foi candura
Num clima de aparato e de sigilo

Émulos,A Naifa
és o meu aparato preferido

terça-feira, abril 22

Posso escrever sobre ti? Não, é melhor não.

domingo, abril 20

Porque é que a noite passa a voar?

sábado, abril 19

Acho que não há um dia em que não diga mentalmente ou até mesmo a falar sozinha ... "Odeio pessoas"

electric feel

Não sei se hei-de sentir ou pensar. Se calhar uma junção equilibrada de ambos ou então nenhum de deles. É sempre uma boa opção. Apenas existir. Porque pensar sugere opinião e é-me difícil guardá-la para mim... o que acaba por gerar algumas situações (des)necessárias e um misto de sentimentos. E há coisas que mais vale contornar e evitar. Que coisas, então? Coisas.