Sentada aqui, num sitío qualquer que seja aqui... Apenas estou de presença.
Eles passam e não me veem. Também não interessa que me vejam. Não me interessa, de verdade. O barulho estridente da máquina de café sobressai-se por entre a música ambiente e as conversas alheias e nessa linha, concluí: Estou em dor. Sou a dor. A minha e a dos outros. O que eu puder ser, eu sou. Inconscientemente, procuro sentir e ser. Não há mais nada que me force a estar numa dimensão dita real. Mas não é real... para mim. Desejava que esta dor fosse mais fácil de domar. Estou a perder. Não gosto do cheiro da nicotina nas minhas pequenas e gorduchas mãos. Irónico como contínuo a fazer questão de a inalar mesmo que este não me anule nem me traga nada de novo. Eles continuam a passar e agora cortam-me o inconsciente. São conhecidos, afinal. De por aí... caras que se cruzam e que por algum motivo a minha consciência retêm. Devem ter algo. Ou sou eu que não tenho nada... além do cheiro a tabaco e o constante desejo de ter a tua ausente presença.