Quem é que espera um 'final' ? O que quer que seja que possuímos acaba por ter um final e ou deixa de pertencer-nos ou apenas, pensamos que já não nos pertence. Sabemos à partida de que existirá um final mas vivemos sem aproveitar cada instante antes desse final. Eu sou exemplo vivo disso. E porquê? Porque estou aqui a opinar sobre finais, sobre aproveitar mas depois na minha realidade, não sinto. Fico inerte e tudo passa em frente aos meus olhos. Não saio! Não me rio! Não usufruo da presença de quem mais me quer bem, neste momento da minha vida que não durará para sempre. Amanhã será diferente. Com um desenrolar da história, diferente, supostamente. Sim, supostamente porque nós somos os protagonistas e se ficamos parados à espera do final que sabemos que virá, o que é que afinal aproveitamos de bom da vida? Tudo o que vivemos acaba por revelar-se vazio porque acabamos por esquecer os momentos que nos fizeram homens e mulheres, acabamos por esquecer pessoas que perderam noites de sono por se preocuparem connosco, acabamos por esquecer pessoas que se juntaram a nós nas ideias mais loucas e descabidas! Acabamos por esquecer o que fomos e que vamos perdendo ao longo da vida: a liberdade, a vontade de viver! Isto porque acabamos por deixar nos ir, ao sabor do vento! Acabamos por nos render à rotina. Estou apenas cansada de tudo. De não me deixarem cometer os meus erros, apesar de saber as consequências pois é a função dos pais, avisar-nos mas não nos deixam experimentar, ser nós a concluir com o nosso erro! Sempre me avisaram mas quando chegava o momento para cair eles lá tinham a rede para não me deixar bater no fundo! Se calhar, estou a ser ingrata mas eu precisava era que eles estivessem ao meu lado e não que me amparassem a queda! Eu preciso de cair e depois de olhar para o lado e ver que tenho alguém que me dê a mão - apenas isso! Deixem-nos bater com a cabeça como vós batestes aquando a vossa adolescência. Nós não somos de porcelana! Não vamos partir perante as primeiras adversidades da vida. Eu não quero ser trintona e ainda correr para o colinho dos papás porque isto e aquilo correu mal e tudo porque na adolescência decidiram privar-me de cometer erros! Eu quero ter o meu dinheiro, aquele fruto do meu suor e não aquele que vocês colocam de lado para mim que ao fim de contas, é vosso e não verdadeiramente meu! Agora, chamem-me ingrata e tudo o mais mas eu só quero é ter experiência e calos que é para isso que a vida é injusta e só os mais fortes e persistentes é que sobrevivem e também (infelizmente) aqueles em que a sua cama foi feita pelos papás!
1 comentário:
Texto perfeito.
Penso que muitos pais mesmo que tenham suas boas intenções, acredito que até as melhores, na verdade não preparam os filhos para a vida e esquecem que não serão eternos e não estarão lá para sempre amparar a queda, como disseste.
A superproteção gera pessoas inseguras, fracas, que depois, quando não possuem mais o amparo que tinham, tornam-se dependentes, reclamonas e acabam por ficar sozinhas e ter que enfrentar a vida. Porque enfrentar a vida é sim ou sim. Um dia, mesmo que tu seja trintona, isto será inevitável e achei muito interessante esta tua maturidade em encarar isto. Deves exprimir estes pensamentos aos teus pais se puder, tiver coragem, talvez eles despertem.
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