terça-feira, junho 5

Inevitável.

O caminho da paragem à minha casa é sempre feito a passo apressado mas quando se trata do caminho oposto, arrasto-me que nem um caracol... Só falta a baba! De manhã, sou um corpo morto que se arrasta até ao momento em que acordo e me lembro que vai ser mais um dia em que te vou ver. Olhar nos teus olhos e sorrir. Encarar o teu rabo quando caminhas à minha frente, dar-te a mão porque quero mostrar que és meu e que correspondes. Eu preciso de mostrar que és meu! És demasiado bom para deixar ir embora, assim sem mais menos, sem dar luta. Sem tentar amar-te ao longe. Nós podemos sobreviver e ser felizes. O nosso amor pode ser mais forte pois tivemos um ano para o fortalecer. Confesso que se tivéssemos começado agora, não aguentaríamos. Já temos bagagem. Já conheço os teus limites e tu os meus. Posso dizer que já nos conhecemos. Somos tão iguais e tão diferentes. Mas o passo apressado para voltar a casa, é porque no meu canto à vestígios teus. Entro no meu quarto e vejo a rosa que me deste no nosso aniversário. Penduro o casaco atrás da porta e lá está o teu casaco, aquele que eu 'roubei' numa noite mais friorenta. Dirijo-me à cozinha e lá está a rosa do meu aniversário que ainda está viva. Sabes o que eu fiz à rosa do nosso aniversário!? Assim que secou, pus laca. E lá está, presa ao placar juntamente com todas as lembranças de tudo o que já passei e vivi. Bilhetes de concertos, comboio, metro e de cinema. A fotografia que tirei no Verão passado, aquela com meu lindo e adorado cabelo, que agora está curtíssimo e feio. Ao lado da secretária, está a mala que me ofereceste no Natal. Nas profundezas das minhas gavetas, deve estar vestígios da concentração motard a que fomos juntos. Já temos um leque de memórias juntos demasiado bom para deitar fora por causa do futuro de cada um. É certo que temos cuidar de nós mesmos mas sem ti, irá ser tão mas tão difícil. Apenas quero estar a 46 minutos de distância, se tudo for como estamos a pensar. Já não vamos estar juntos. Evitamos esta conversa o máximo possível mas não deu mais. Não podíamos esperar até recebermos os resultados das candidaturas. O choque seria maior e assim a ideia vai se instalando e vamos tomando-a como inevitável. Eu quero aproveitar o Verão contigo. Eu não quero que vás. Porra, eu amo-te tanto mas tanto que doí pensar que podemos não aguentar... Passámos um ano a ver-nos todos os dias, excepto o verão. Estamos a 30 km de distância e conseguimos amarmos-nos. Resultou até agora. Apenas vou sair de casa e tu também .. apenas não iremos para o mesmo sitio, infelizmente. Chega desta conversa, não consigo continuar. A dor instalou-se no peito e as lágrimas querem cair. 
Cassandra Lovelace

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