Um dos meus seguidores, Emilie Lorena (cliquem e deliciem-se num mundo de fantasia e amor!) lançou o desafio de escrevermos uma carta a jeito de continuação à história 'Do outro lado do fumo' que surgiu após o fim da 'Entre fumos'. É apenas para darmos o nosso contributo e aqui está o meu, Emilie! Espero que gostes, darling. És um mimo de se ler por este mundo que é a blogosfera.
"Antes de pegar em algo credível para guardar num envelope, dei por mim a deixar pequenas frases em guardanapos de café, em algum pedaço velho de jornal ou até mesmo na parte de dentro da minha mão esquerda. A mão que suportou o anel, objecto que mostra ao mundo o nosso amor e juro, meu anjo que não preciso de um anel para mostrar-te o quanto eu te amei, amo e amarei. És o que sou. Quando chegaste à porta da minha vida, eu era um simples transeunte que boiava à superfície da terra. Eu apenas caminhava, sem rumo e refugiando-me na noite e foi assim que O Acaso cuidou para te trazer a mim. Trouxe-te a mim pelo meio que eu agora mais rejeito e repugno. Tirei-nos dessa vida mas as consequências vieram mais tarde... Aquela noite fatal em que eu falhei contigo. Irei sempre culpar-me! Como pude ser tão cobarde e egoísta? Eu devia ter-te impedido! Eu devia ter te acompanhado e mostrado que aquele ambiente já não era nosso, já não nos corria nas veias... O nosso tempo nesse ambiente tinha acabado! Era tempo de alegria e de luz do Sol e não de noites sem fim e dolorosas. Noites que agora te meteram a sete palmos de terra de distância de mim. O que me impede de cavar e me juntar a ti, é o nosso rebento. O rebento do nosso amor. A personalidade dela está a formar-se e tem traços teus. A teimosia, a maneira como aborda as pessoas para ter o que deseja, o olhar quando vê que as palavras não irão adiantar. A maneira de andar e de estar perante o mundo, é totalmente igual a ti, meu amor. Eu prometo-te que irei protegê-la do mundo. Irei mostrar-lhe a hipocrisia, falsidade e a corrupção que corre nas veias do mundo. Irei dar-lhe armas para ela se defender.. como sarcasmo e ironia. Ela irá ser capaz de escolher a dedo os amigos apenas confiando no seu instinto e como sempre, é capaz de se enganar mas aí eu estarei presente. Não serei cobarde! Eu, o amor da tua vida, estarei lá para ensinar a nossa filha a levantar-se do chão com um sorriso na cara e pronta a enfrentar o mundo. Irei limpar cada ferida, cada ombro deslocado ou até mesmo cabeça partida. Irei educá-la e tu verás do sitio onde estás, em paz de que a tua filha irá ficar bem mesmo que rodeada deste mundo empestado. E é este o meu objectivo. Cuidar da menina que me faz lembrar-te! Oh, como ela corre e descobre o mundo e ela sorri, inocente e ignorante à crueldade que o mundo lhe reserva. As lágrimas já borbulham nestes meus olhos castanhos. Os olhos que olharam por ti e que te amaram. Como tenho saudades tuas, meu anjo. Ainda sinto o teu cheiro no fato. Ainda consigo imaginar o teu sorriso a formar-se. Não quero esquecer-me. Não quero estar tão ocupado com o mundo e com o trabalho que acabe por esquecer-me dos teus traços de menina. Eu sei que um pedido de desculpas não irá trazer-te de volta mas irá amainar a minha dor. Desculpa por ter sido cobarde e tremido como varas verdes no momento em que mais precisaste de mim e agora, pagas a conta errada e eu, terei que viver com a culpa da tua morte mas, meu amor irei transformar esta culpa em força, em sorrisos, em tempo e em paciência para cuidar da nossa filha como planeávamos nas nossas noites insones. E quando a minha tarefa estiver cumprida, juntarei-me a ti! Que a velhice me leve a ti de consciência tranquila e de coração ainda cheio de amor para te dar. Porque assim que for ter contigo, teremos todo o tempo do mundo."
"Antes de pegar em algo credível para guardar num envelope, dei por mim a deixar pequenas frases em guardanapos de café, em algum pedaço velho de jornal ou até mesmo na parte de dentro da minha mão esquerda. A mão que suportou o anel, objecto que mostra ao mundo o nosso amor e juro, meu anjo que não preciso de um anel para mostrar-te o quanto eu te amei, amo e amarei. És o que sou. Quando chegaste à porta da minha vida, eu era um simples transeunte que boiava à superfície da terra. Eu apenas caminhava, sem rumo e refugiando-me na noite e foi assim que O Acaso cuidou para te trazer a mim. Trouxe-te a mim pelo meio que eu agora mais rejeito e repugno. Tirei-nos dessa vida mas as consequências vieram mais tarde... Aquela noite fatal em que eu falhei contigo. Irei sempre culpar-me! Como pude ser tão cobarde e egoísta? Eu devia ter-te impedido! Eu devia ter te acompanhado e mostrado que aquele ambiente já não era nosso, já não nos corria nas veias... O nosso tempo nesse ambiente tinha acabado! Era tempo de alegria e de luz do Sol e não de noites sem fim e dolorosas. Noites que agora te meteram a sete palmos de terra de distância de mim. O que me impede de cavar e me juntar a ti, é o nosso rebento. O rebento do nosso amor. A personalidade dela está a formar-se e tem traços teus. A teimosia, a maneira como aborda as pessoas para ter o que deseja, o olhar quando vê que as palavras não irão adiantar. A maneira de andar e de estar perante o mundo, é totalmente igual a ti, meu amor. Eu prometo-te que irei protegê-la do mundo. Irei mostrar-lhe a hipocrisia, falsidade e a corrupção que corre nas veias do mundo. Irei dar-lhe armas para ela se defender.. como sarcasmo e ironia. Ela irá ser capaz de escolher a dedo os amigos apenas confiando no seu instinto e como sempre, é capaz de se enganar mas aí eu estarei presente. Não serei cobarde! Eu, o amor da tua vida, estarei lá para ensinar a nossa filha a levantar-se do chão com um sorriso na cara e pronta a enfrentar o mundo. Irei limpar cada ferida, cada ombro deslocado ou até mesmo cabeça partida. Irei educá-la e tu verás do sitio onde estás, em paz de que a tua filha irá ficar bem mesmo que rodeada deste mundo empestado. E é este o meu objectivo. Cuidar da menina que me faz lembrar-te! Oh, como ela corre e descobre o mundo e ela sorri, inocente e ignorante à crueldade que o mundo lhe reserva. As lágrimas já borbulham nestes meus olhos castanhos. Os olhos que olharam por ti e que te amaram. Como tenho saudades tuas, meu anjo. Ainda sinto o teu cheiro no fato. Ainda consigo imaginar o teu sorriso a formar-se. Não quero esquecer-me. Não quero estar tão ocupado com o mundo e com o trabalho que acabe por esquecer-me dos teus traços de menina. Eu sei que um pedido de desculpas não irá trazer-te de volta mas irá amainar a minha dor. Desculpa por ter sido cobarde e tremido como varas verdes no momento em que mais precisaste de mim e agora, pagas a conta errada e eu, terei que viver com a culpa da tua morte mas, meu amor irei transformar esta culpa em força, em sorrisos, em tempo e em paciência para cuidar da nossa filha como planeávamos nas nossas noites insones. E quando a minha tarefa estiver cumprida, juntarei-me a ti! Que a velhice me leve a ti de consciência tranquila e de coração ainda cheio de amor para te dar. Porque assim que for ter contigo, teremos todo o tempo do mundo."
Cassandra Lovelace

5 comentários:
HJGDAUSFDGAVF Que linda! *-* Está fantástica, Cass! Está mesmo mesmo fantástica! :D Muitos parabéns! :D beijinho!
Sabes uma coisa? Fiquei sem palavras. Sem palavras e quase com lágrimas nos olhos. Acredita que conseguiste encontrar o fundamental nos capítulos que lá deixei e aproximaste-te imenso do sentimento que a pessoa que inspirou a personagem sente. E também eu senti por isso tenho a certeza que quem ler sentirá tudo isto e irá conseguir imaginar como se da própria vida se tratasse! Não te preocupes que não me importo nada que tenha sido à "última da hora", este é um texto magnífico!
E obrigada pelas palavras lindas que deixaste a meu respeito na introdução do post. Foram tão doces e eu nem sei como te agradecer. Mas acho que basta dizer-te que é uma honra alguém achar isso de mim e que eu sinto exactamente o mesmo de cada vez que venho ao teu espaço.
Beijinho minha querida *
Está mesmo muito boa! A sério! :D
Bem, fiquei sem palavras, logo para aí nas primeiras frases. Muito tocante, algo único mesmo.
A tua carta está realmente linda e não há como descrever.
Parabéns.
Sem palavras, está fantástico!
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