Nem sei onde estou. Acordei com os pássaros a esvoaçarem em busca de alimento... ou terei eu assustado os pobres coitados!? Olho em meu redor e percebo que estou no meio de uma floresta. Sento-me e pego nas folhas caídas devido à chegada do Outono e deixo-as esvoaçar ao sabor do vento. Desta vez, olho para mim e vejo que envergo umas calças e uma camisola quente mas sinto-me fria. O meu cabelo está cheio de folhas, galhos partidos e terra húmida. Que raio estou eu a fazer aqui? A custo, ergo-me e olho em minha volta... não se avista estrada, apenas a natureza no seu estado mais puro e intocável pelo Homem. Procuro o meu telemóvel e infelizmente está desmontado e com o ecrã partido. É sempre positivo, ripostei para os meus botões. Tentei finalmente dar uso ás minhas pernas e quando pensava que estava a andar para a liberdade, uma corrente presa no tornozelo faz-me recuar e cair de costas na terra molhada. Agora a coisa ficou preta, pensei. Olhei para cima e constato o tamanho exagerado dos pinheiros e outras árvores e o Sol mal conseguia fazer com que os seus raios chegassem ao chão tal não era a densidade de floresta. Comecei a rir exageradamente. E de tanto rir, as lágrimas começaram a teimar em cair. Não sei onde estou, murmurei. E por fim gritei "Onde estou?!" e uma voz ao fundo respondeu "Não sabes?".
Redobrei a minha atenção, limpei as lágrimas e respondi - Não, não sei! Quem és?
Antes demais, estás na Montanha Riper. E quem sou? Sou o teu inconsciente.
Ele acabou de dizer onde estou e nunca na vida se eu raptasse alguém lhe diria onde estava. Algo não bate certo. Peguei na corrente e comecei a puxá-la e saiu facilmente. Estranhei mas desatei a correr, olhei para trás para ver se alguém me seguia e então, no momento em que olho para a frente, sinto o meu pé a ser puxado e caí em seco. Estava acorrentada de novo, na mesma árvore. Como é possível?
Eu disse que era o teu inconsciente por isso, Fray estás presa na tua mente. Podes correr mas estarás a correr em círculos! Acabarás acorrentada em todas as vezes que passares nessa árvore. E o melhor? Só sairás daqui quando o desejares verdadeiramente.
Mas eu desejo sair daqui! Quem não deseja!? Não quero estar aqui. Quero sair! - comecei a correr novamente e quando dava por isso, já estava novamente acorrentada e com dificuldade em respirar devido à pancada em seco que sofria da queda. Decidi encostar-me à árvore, chorar que nem uma Madalena e ouvir a natureza. O rio a correr pela montanha, os pássaros a alimentarem as suas crias, a brisa seca e depressa o Sol se pôs. Fiquei eu e os animais procurando por comida. Ia morrer por causa do meu inconsciente e comecei a rir. Que conclusão parva. Se é o teu inconsciente, estás a dormir. Então, decidi morrer. E com um prego que tinha encontrado, cortei o meu antebraço, desde o cotovelo até ao pulso, ao longo deste. O sangue começou a escorrer como um rio de lava. Comecei a desmaiar e murmurei, Vou para casa e ao longe uma voz disse "Não, não e não. Vais morrer verdadeiramente" e adormeci com as suas gargalhadas.
De um salto, acordei. Olhei instantaneamente para o meu antebraço e vejo uma cicatriz. Ao meu lado, está a minha mãe a dormir profundamente e na porta do quarto, dois polícias. Confusa, acordei a minha mãe.
Fray- O que aconteceu?
- Dei contigo a cortares o teu braço enquanto dormias. O que deu na tua cabeça?
Fray- Estava só a tentar libertar-me. Estava presa! Para quê os polícias?
- Caso, voltes a fazer o mesmo... És internada.
Fray - Estou bem aqui!
- Não, filha. Não estás. Agora, volta a dormir.
E com o calor da minha mãe, os olhos tornaram-se pesados e voltaria a adormecer. Que raio se passa comigo?, lembro-me de pensar antes de adormecer por completo.
Fray, é o teu inconsciente outra vez. Posso deixar-te em paz e até já to disse como o fazer. Tens que o desejar verdadeiramente.
Acordei a gritar, Mas eu quero!, e procurei magoar-me outra vez, no outro antebraço. Os polícias agarraram em mim e algemaram-me. Acompanharam-me pela entrada da casa e senti o Sol a bater na minha pele imaculada e branca que nem neve, olhei o céu e os pássaros voavam bem alto em busca da sua essência, a brisa agitou o meu cabelo comprido e louro e eu para os desviar dos meus olhos desviei a cabeça e vi borboletas a disputarem uma flor e então olhei para trás e vi a minha mãe lavada em lágrimas. Apenas consegui dizer: Mãe, estou a sentir-me bem. Eu sinto-me bem! Os meus monstros vão desaparecer e eu voltarei para ti. Num novo dia, em que o amanhecer seja diferente, eu voltarei para casa, sozinha.
Cassandra Lovelace
Desafio lançado pela Nya*, inspirado em Feeling Good dos Muse

6 comentários:
Oh, obrigada *.* it means a lot. Tu também escreves muitíssimo bem.
Que achas da ideia de trocarmos também músicas? Confesso que adorei a iniciativa e é muito giro :D
Vou ver então dessas duas qual a que mais me inspira :)
Para ti, escolho a Take a Bow - Greg Laswell e fico à espera, curiosa ;)
Quanto ao Justin, só descobri ontem e depois ainda fui confirmar se era verdade, ficando a saber que ganhou 6 milhões por ceder apenas aquela cantarolice de 10 ou 20 segundos da sua música x)
Quando me deste aquela francesa, eu também não fazia ideia do que era mas assim que a ouvi, percebi logo que me era familiar e é muito bonita :)
Concordo ahah ;p
Vou passar a ouvi-la muito mais vezes ^^
Oh, obrigada :) estava a pensar em mudá-lo porque depois torna-se boring sempre o mesmo mas ainda não encontrei um melhor que este. É simples mas transmite uma mensagem.
O teu agrada-me bastante, é diferente e leva-me a pensar nos tempos que deves ter passado de volta dos estudos e se calhar muito café à mistura para combater o cansaço da faculdade :)
Já reparei :p
Porquê o do Mac? x)
Ei! :D And I felt good reading your text! ^^ Interessante a forma como lhe pegaste. Está muito bem, adorei a última parte a itálico! :D Isto realmente é muito engraçado de se fazer! :D Espero que escrevas mais vezes! beijinho!
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